sexta-feira, 1 de julho de 2011

Coração de criança


Brinquei muito quando criança, de todas as brincadeiras que se  possa imaginar. Corri, pulei, joguei, chutei, me molhei e tantos outros “eis” que animavam minhas tardes e faziam da minha infância um estagio feliz de minha vida. Amigos, tive vários (alguns até hoje os tenho) e sem eles muito das brincadeiras não seriam possíveis, aliás, na maiorias das vezes tudo que precisávamos pra começar as brincadeiras era justamente os amigos, os brinquedos eram dispensáveis sempre que tínhamos a oportunidade de correr, gritar, pular, voar, imaginar junto aos amigos.
Naquela época (década de 90) os brinquedos eletro-eletrônicos ainda eram novidade e raríssimos dado ao universo que fazíamos parte, brinquei de videogame também, mas, o que gostávamos mesmo era da boa e velha bola de futebol que dividia atenção com bolinhas de gude, pião, ioiô. Pipas, carrinhos e outros (me  lembro que alguns garotos brincavam com pneus velhos e “brinquedos inventados” feito com garrafas de água sanitária e latas de óleo.) e embora não tivéssemos todo o arsenal de brinquedos modernos que vejo hoje percebo que naquela época as brincadeiras eram mais vivas. Exemplo disso são as bolinhas de gude. Não dá para contar a quantidade de brincadeiras que se pode fazer com elas. Posso citar algumas como palmo e telo; Sete, catorze, vinte e um;  barca, caçapa         e tantas outras que aproximavam a crianças umas das outras.
Posso afirmar que daquele tempo não há uma só criança que nunca tenha brincado de carrinho de rolimã. É claro que quem tinha uma rua asfaltada por perto  (coisa que não era tão normal) curtia mais a brincadeira. Tínhamos brincadeiras       que bastava simplesmente correr, perseguir os outros capturá-lo com três palmadas na cabeça. Coisas simples que de tão divertidas se estendiam até  a noite e muitas vezes por causa isso geravam em castigo das mães como tomar banho gelado, quando não, uma surra, mas valia a pena.
Escrevo sobre isso porque observando as crianças brincando hoje percebo que elas precisam de muitas coisas para poder se divertir e o que é pior, quase sempre com poucos amigos à volta. Brincam pouco e quando brincam poluem suas cabeças com idéias violentas e discriminatórias egocêntricas em jogos eletrônicos  que recriam o mundo numa realidade adversa e hostil. Ante tudo isso eu me pergunto. Existe diversão nas brincadeiras de hoje? Sinceramente não sei dizer a resposta.
Crianças não mudam, são sempre crianças. Os adultos mudam e transformam também o mundo e o mundo que eles apresentam as crianças de hoje é o que me preocupa. Me lembro da minha infância com momentos bons porque vivíamos como crianças com um só objetivo, diversão. Tínhamos coração de criança, coisa que se tem perdido cada vez mais cedo.

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