Se alguém a diz, ouço como se não houvesse mais ninguém digno de você.
Se eu a digo, você ouve como se aos seus ouvidos soasse como um eu.
Ninguém, além de mim, reclamou o direito sobre você. Eu fui o primeiro.
E como você sempre prefere o eu, não preciso dividir você com ninguém, nem mesmo com você.
Mas o eu, por incrível que pareça você quer. Então eu também é seu, mesmo sendo meu.
O eu, eu divido com você, mas você eu não divido com ninguém.
Se alguém, que não sou eu, diz você, mesmo não sendo para mim ainda assim percebo você e reconheço-a como minha.
Confesso que não gosto e se me atrevo a questionar é bem possível eu ouvir:
“Não estou falando com você!”
Isso me chateia, mas saio vitorioso porque assim se terá deixado de ter falado com você, por mim.
O que gosto mesmo é quando estamos somente você e eu.
Eu digo você que se reconhece como eu e você assim me chama e eu a ouço da mesma forma.
É como se quando estivéssemos juntos você e eu transformássemos num só. Nesse momento só existe nós .